A Congregação Cristã no Brasil é amplamente reconhecida em todo o território nacional por não exigir dízimos de seus fiéis nem efetuar qualquer tipo de coleta durante a celebração dos cultos. A construção de milhares de casas de oração, a conservação patrimonial dos templos e o amplo amparo assistencial aos necessitados da igreja são sustentados unicamente por ofertas voluntárias, espontâneas e anônimas. Esse princípio litúrgico e financeiro fundamenta-se estritamente nos ensinamentos do Novo Testamento, em especial nas epístolas do apóstolo Paulo, que ensinou que a contribuição cristã deve brotar da generosidade sincera do coração de cada indivíduo, sem imposição legalista ou constrangimento social.
O contraste entre o dízimo da lei mosaica e a graça neotestamentária
No contexto do Antigo Testamento, a cobrança do dízimo fazia parte integrante do sistema teocrático e sacrificial da lei dada a Moisés. A décima parte dos produtos da terra e dos rebanhos destinava-se expressamente à sustentação da tribo sacerdotal de Levi, que não possuía herança territorial entre as demais tribos de Israel, bem como ao sustento dos estrangeiros, órfãos e viúvas em Jerusalém.
Com o sacrifício consumado de Jesus Cristo na cruz do Calvário, a ordem do sacerdócio levítico foi plenamente cumprida e superada pelo sacerdócio eterno de Cristo, de acordo com o testemunho límpido da Epístola aos Hebreus. Sob a dispensação da graça, a igreja apostólica primitiva não instituiu tributos obrigatórios nem percentuais fixos sobre a renda dos crentes, adotando em seu lugar o princípio mais sublime da oferta voluntária e do desprendimento fraternal.
O princípio paulino da oferta voluntária e alegre
A doutrina seguida pela congregação apoia-se diretamente nas instruções registradas em 2 Coríntios 9:7: cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade, porque Deus ama ao que dá com alegria. O texto bíblico deixa patente que a doação material nunca deve ser fruto de coação, intimidação ou apelos emocionais ruidosos.
Ao escrever aos coríntios e aos gálatas, Paulo também estabeleceu a disciplina da coleta reservada: no primeiro dia da semana, cada crente colocava de parte o que pudesse ajuntar, conforme a bênção e prosperidade concedidas por Deus em seu labor honesto (1 Coríntios 16:2). A contribuição é entendida, portanto, como um ato sagrado e íntimo de gratidão a Deus, e não como uma taxa de associação institucional.
O modelo de caixas coletoras e o sigilo nas contribuições
Na prática litúrgica da Congregação Cristã no Brasil, não existem sacolas ou salvas passando de mão em mão pelos bancos, nem maquininhas de cartão ou leitura pública de nomes e quantias no púlpito. O recinto de oração é guardado em absoluta reverência durante todo o serviço sagrado.
Para viabilizar a entrega das doações, cada templo conta com caixas de madeira fixadas discretamente nas portas de entrada e saída. Essas caixas são devidamente identificadas por finalidades orçamentárias específicas: Manutenção e Conservação dos Templos, Compra de Terrenos e Construções, e Obra da Piedade. Cada fiel, ao entrar ou sair do santuário, deposita em sigilo a quantia que seu coração propôs perante o Senhor, garantindo que nem mesmo os ministros saibam quem contribuiu ou quanto foi ofertado.
A destinação dos recursos: Construção e Obra da Piedade
A separação orçamentária das ofertas garante que os recursos arrecadados cumpram com rigor os propósitos bíblicos. As ofertas de manutenção atendem às contas públicas ordinárias de energia, água, limpeza e reformas dos edifícios. As ofertas de construção subsidiam a compra de materiais para erguer novos templos tanto nas metrópoles quanto nos municípios de menor porte econômico.
Por sua vez, a caixa da Obra da Piedade é administrada com todo o zelo pelos diáconos locais e irmãs da piedade. Os recursos desse fundo são convertidos em gêneros alimentícios, medicamentos, agasalhos e auxílio financeiro emergencial direto para famílias de crentes em situação temporária de desemprego, doença ou desamparo social, cumprindo à risca a exigência cristã do cuidado com os órfãos e viúvas em suas tribulações (Tiago 1:27).
A ausência de clero assalariado como fator de equilíbrio
Um dos elementos estruturais que tornam sustentável o modelo da CCB sem a necessidade de dízimos é a inexistência de folha de pagamento ministerial. Na congregação, nenhum ancião, diácono, cooperador, encarregado de música ou organista recebe honorários, salários ou ajuda de custo provinda das ofertas da igreja.
Todos os obreiros exercem profissões civis seculares, dependendo do trabalho de suas próprias mãos para sustentar seus lares, reproduzindo com fidelidade a conduta do apóstolo Paulo descrita em Atos 20:34: de ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestuário; vós mesmos sabeis que para o que me era necessário a mim, e aos que estão comigo, estas mãos me serviram. Como os recursos da igreja não são consumidos por salários clericais, a totalidade das doações é revertida na conservação dos templos e na caridade aos necessitados.
Transparência administrativa e assembleias de contas
Embora a entrega da oferta seja anônima por parte do ofertante, a gestão dos valores arrecadados pela congregação é rigorosamente registrada perante as leis civis e fiscais brasileiras. Todas as administrações locais possuem diretorias civis compostas por irmãos capacitados, que operam sob controle contábil rigoroso.
Periodicamente realizam-se assembleias gerais ordinárias onde os balanços financeiros, as entradas e as saídas de recursos são lidos e apresentados com clareza para a aprovação dos membros da comunidade. Essa disciplina administrativa preserva a honra da fé perante as autoridades civis e assegura a total ausência de desvios patrimoniais.
A dignidade da fé sem mercantilização do Evangelho
Ao recusar veementemente teologias de prosperidade que barganham favores divinos em troca de valores monetários, a Congregação Cristã no Brasil preserva a dignidade do culto ao Altíssimo. O Evangelho é anunciado sem preço, de forma pura e acolhedora para ricos e pobres.
A experiência secular da congregação comprova que, onde há fidelidade às Sagradas Escrituras e respeito sincero à liberdade de consciência de cada crente, jamais falta a provisão divina. As ofertas voluntárias provindas de corações gratos têm sido mais do que suficientes para edificar milhares de casas de oração por todo o Brasil e manter acesa a chama de uma fé sóbria, limpa e desinteressada.