A organização ministerial da Congregação Cristã no Brasil apresenta uma estrutura ímpar no panorama religioso contemporâneo ao adotar um modelo estritamente voluntário, colegiado e desprovido de remuneração financeira institucional. Enquanto grande parte das agremiações confessionais apoia-se em um clero profissionalizado e na figura centralizadora de pastores assalariados por cotas ou dízimos, a liderança da congregação é exercida por anciãos, diáconos e cooperadores que exercem seus ofícios com dedicação graciosa. Nenhum obreiro recebe honorários pelas ministrações sagradas, sustentando seus lares através de profissões seculares, a exemplo do testemunho apostólico deixado no Novo Testamento.
O governo colegiado e ministerial neotestamentário
No Novo Testamento, as comunidades cristãs fundadas pelos apóstolos não eram dirigidas por uma autoridade humana monocrática ou piramidal, mas por um presbitério ou colegiado de homens maduros na fé. O livro de Atos dos Apóstolos (Atos 14:23) registra que Paulo e Barnabé, orando com jejuns, promoveram a ordenação de anciãos presbíteros em cada igreja local.
A congregação adota fielmente essa ordenação pluralista. Não existe na igreja o título de pastor-presidente, bispo supremo ou superintendente geral remunerado. Todas as deliberações eclesiásticas, espirituais e administrativas são apreciadas em conselho ministerial fraterno, sob oração sincera e busca unânime de comunhão entre os irmãos de ministério.
O papel e as atribuições dos anciãos da igreja
O ancião (termo que traduz a palavra bíblica grega presbyteros) é o ministro incumbido da direção dos serviços espirituais no santuário. Aos anciãos compete a ministração pública do santo batismo por imersão, a presidência e distribuição da Santa Ceia e do Lava-Pés, a realização de orações solenes e unção dos enfermos com azeite (Tiago 5:14), além do aconselhamento espiritual da irmandade e a ordenação de novos ministros por imposição de mãos.
Conforme as prescrições paulinas em 1 Timóteo 3:1 a 7 e Tito 1:5 a 9, o ancião deve ser irrepreensível, esposo de uma só mulher, vigilante, sóbrio, hospitaleiro, apto para ensinar, não dado ao vinho, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado e que governe bem sua própria casa, tendo filhos em sujeição. A vida exemplar no seio da sociedade civil e da família é requisito indispensável para a manutenção do ministério.
O ministério dos diáconos e a assistência aos necessitados
Ao lado dos anciãos atuam os diáconos (termo originado do grego diakonos, que significa servidor). O diaconato na congregação é regulamentado pelo exemplo fundacional de Atos 6:1 a 6, quando os apóstolos em Jerusalém separaram sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para administrar a assistência diária e o socorro aos desamparados.
Os diáconos cuidam com amor da Obra da Piedade, identificando famílias de fiéis, enfermos, órfãos e viúvas que estejam passando por privações materiais. Sob sigilo caridoso absoluto, os diáconos e suas esposas providenciam auxílio financeiro e cestas de alimentos, além de zelar pela ordem física, manutenção das caixas de coleta e atendimento aos membros durante as reuniões nos templos.
Cooperadores do Ofício Ministerial e de Jovens e Menores
Para auxiliar os anciãos no atendimento das congregações locais, a congregação conta com a figura dos Cooperadores do Ofício Ministerial. Esses irmãos sobem ao púlpito para presidir cultos locais ordinários, ler e pregar a Palavra de Deus conforme a guia do Espírito Santo e apresentar os pedidos de oração da assembleia.
Paralelamente, existem os Cooperadores de Jovens e Menores, vocacionados especificamente para conduzir as reuniões dominicais da mocidade e infância. Seu ministério foca-se na orientação moral, na tomada de recitativos bíblicos e na formação espiritual das crianças e jovens cristãos, preparando as novas gerações para a preservação dos santos ensinamentos.
A independência secular e o exemplo de Paulo
O apóstolo Paulo foi enfático ao defender que o mensageiro do Evangelho não deve constituir peso financeiro para as igrejas. Ao despedir-se dos anciãos da igreja de Éfeso em Mileto, pronunciou o imorredouro testemunho gravado em Atos 20:33 a 35: de ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestuário; antes vós mesmos sabeis que para o que me era necessário a mim, e aos que estão comigo, estas mãos me serviram; tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister acudir aos necessitados.
Em Corinto, Paulo exercia o ofício secular de fabricante de tendas ao lado de Áquila e Priscila (Atos 18:3), garantindo sua autonomia moral e impedindo que detratores o acusassem de mercadejar as coisas de Deus. Na Congregação Cristã no Brasil, esse exemplo apostólico é estritamente reproduzido: anciãos e diáconos trabalham como médicos, engenheiros, advogados, operários fabris, pedreiros, agricultores, professores e comerciantes, sem depender financeiramente da igreja para sua subsistência.
Como ocorrem as ordenações ministeriais
Na congregação não há vestibulares teológicos, candidaturas políticas nem cursos de formação pastoral institucional. A vocação ministerial é entendida como um dom divino revelado e confirmado pela congregação.
Quando há necessidade de novos obreiros em uma região, os anciãos locais entram em oração e jejum. O assunto é levado ao conselho em assembleia ministerial, onde o testemunho secular, a conduta moral e a vida conjugal dos candidatos são minuciosamente examinados. Havendo comunhão e confirmação espiritual, o obreiro é ordenado perante a igreja reunida por meio de oração de joelhos e imposição das mãos do corpo de anciãos.
A preservação da pureza espiritual
A recusa categórica ao profissionalismo religioso é o maior antídoto que preserva a Congregação Cristã no Brasil das intrigas e vaidades eclesiásticas. Onde não há salários, não há disputas por cargos lucrativos nem barganhas por templos maiores ou de maior arrecadação.
O ministério é exercido por amor puro à causa de Deus e aos irmãos na fé. Esse modelo centenário confere aos anciãos e diáconos autoridade moral e respeito sincero perante a congregação, demonstrando que o serviço prestado a Cristo não tem preço terreno, pois sua recompensa eterna está reservada nos céus.